segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Resenha 15 # As virgens suicidas

Li As virgens suicidas, de Jefrey Eugenides no mês de outubro, esse era um livro que estava em duas das minhas listas de desafios e já tinha visto muitas resenhas positivas sobre ele.
Adianto que gostei demais da leitura, sendo uma das melhores do ano que passou. Ele vai trazer a história das irmãs Lisbon: Cecília, 13 anos; Lux, 14; Bonnie, 15; Mary, 16 e Therese, 17.
Como sugere o próprio título da obra, não é spoiler pra ninguém dizer que sim, as cinco irmãs vão se suicidar ao longo da trama.
Um fato na escrita do autor e que eu gostei muito é que ele traz um narrador coletivo, são quatro garotos que moram na mesma rua das Lisbon, que são garotas muito bonitas e ao mesmo tempo muito misteriosas, que tem uma família opressora e que vivem dentro de casa.
Esse narrador coletivo possui uma imaginação absurda, são fissurados nessas meninas, principalmente depois dos suicídios.
O livro é narrado muitos anos depois dos acontecimentos descritos, pois os suicídios tiveram um impacto tão grande na vida daquela cidade e principalmente na vida daqueles garotos que mesmo adultos, casados, com suas vidas formadas, eles precisavam entender o que levou aquelas meninas a acabarem com suas vidas de forma tão trágica.
Para compreender eles passam a reunir provas e entrevistar todas as pessoas que estiveram envolvidas nesses acontecimentos.
Na primeira pagina vamos nos deparar com a tentativa de suicídio da primeira e mais nova das irmãs, Cecília (e isso não é spoiler, está na contracapa do livro), há um diálogo incrível entre a menina e o psiquiatra:

- O que você está fazendo aqui meu bem, você nem tem idade para saber o quanto a vida pode se tornar ruim.
E foi então que Cecília forneceu oralmente aquilo que seria sua única forma de bilhete de suicídio, ainda por cima, um bilhete inútil porque ela sobreviveria:
- É obvio doutor, você nunca foi uma menina de 13 anos.


O livro se passa num momento dos EUA em que está ocorrendo à liberação sexual e a mãe delas é uma fanática religiosa, ninguém pode chegar perto das meninas.
Cada uma das irmãs vai lidar de uma forma diferente com essa dor. A que mais aparece é a Lux, porque ela vai lidar com a situação de uma forma sexualizada, vai ter muitos casos amorosos. E não, ela não era virgem.
Acredito que o título se dá pelo fato de terem morrido muito novas, muito reprimidas, sem ter conhecido quase nada da vida.
O primeiro suicídio acontece logo de cara e ai você fica ansioso para os próximos, como eles vão acontecer e quando acontece você fica estarrecido de ver a sequência e como aconteceram.
Assisti o filme, baseado no livro, dirigido por Sofia Copola e, apesar dela ter mantido a essência, acho que falta muito para compreensão. É um bom filme, mas leia o livro também para você compreender a dimensão que Eugenides quis chegar.
É realmente um livro que suga o leitor, que te deixa às vezes um pouco pra baixo.
É uma leitura pesada, mas que vale muito a pena.

Título: As virgens suicidas
Autor: Jeffrey Eugenides
Editora: Companhia das Letras
N. de páginas: 232
Nota: 04

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