“Nada é orgânico, é tudo programado”, esse trecho da música ‘Admirável chip novo’ da cantora Pitty traz muito do fantástico “Admirável mundo novo”, do autor Aldous Huxley, de longe minha melhor leitura no mês passado.
É mais uma das distopias clássicas, que englobam (1984 do George Orwell – já resenhada aqui; Fahrenheit 451 do Ray Bradbury e Laranja Mecânica de Anthony Burgess)
A premissa é parecida com 1984, mas no mundo criado por Huxley as pessoas não sofrem, elas são todas felizes. E o conceito de estabilidade social é levado as últimas consequências para que seja bem sucedido.
Não existe mais o conceito de família, as crianças são fabricadas. Sim, eles cultuam Henry Ford e transferiram a produção em série de carros para produção em série de pessoas.
O mundo é dividido em castas e, desde o período de gestação, as crianças passam a ser condicionadas a situação que vão viver, que não irá se alterar para o resto da vida.
São condicionadas a aceitar o mundo da forma como ele é e o trabalho que vão realizar, mesmo sendo da casta mais baixa e trabalhando muito, são felizes e agradecidos, porque essa é a vida deles.
O início do livro mostra esse condicionamento e em alguns momentos eu cheguei a ter náuseas. Sério, é muito forte a forma como isso acontece, a forma como manipulam a humanidade em prol da estabilidade social.
Eles usam uma droga chamada “soma”. Se o individuo está cansado, triste, passou por dificuldade ou mesmo após longa jornada de trabalho ele toma soma, “foge da realidade” e ficar tudo bem novamente.
No mundo de Huxley não existe o conceito de família, as pessoas não se casam, mas são estimuladas a ter uma vida sexual muito ativa.
Eles não envelhecem (através de tratamentos), e são condicionados para morte, acham que é algo muito bom.
Como em toda distopia há alguém na sociedade que passa a não concordar com tudo e levantar questionamentos, nesse livro é o Bernard . Ele está quase sendo mandado para uma ilha. Em 1984, as pessoas que iam contra o sistema sumiam, aqui, eles são enviados para ilhas, onde vão rever suas dúvidas, pensar por si sós, mas separados da sociedade.
Mas ele viaja até uma aldeia não civilizada, onde vivem selvagens, que são ‘índios’. Lá conhece a Linda e o seu filho. Ele descobre que ela era da civilização e engravidou, o que é um absurdo pra eles, e foi mandada pro “mundo selvagem” e esse filho que é um “selvagem”, é muito mais civilizado do que os civilizados.
Ele quer conhecer o “admirável mundo novo” e a partir dele, vão surgir as grandes reflexões e questionamentos, pois ele quer entender como esse “admirável mundo novo” funciona.
Gostei muito dessa distopia é muito interessante e te faz pensar.
A minha edição é da Globo livros e tem um prefácio à edição brasileira escrito por Olavo de Carvalho.
Título: Admirável Mundo Novo
Autor: Aldous Huxley
Editora: Globo Livros
N. de páginas: 312
Nota: 05

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