quinta-feira, 5 de junho de 2014

Momento clássicos #1 - 1984


Num momento que as distopias (como Jogos Vorazes, Divergente) estão em alta entre grande parte do público leitor ou não, porque essas trilogias já foram adaptadas para o cinema com sucesso também, vale a pena ler “1984”, distopia escrita por George Orwell, no ano de 1949.
Sim, para Orwell 1984 era o futuro e ele o vislumbrou de forma muito apavorante eu diria, mas, ao mesmo tempo, acredito que há muito mais do que ele imaginou nos dias atuais do que realmente sabemos.
Em resumo, ele descreve uma sociedade distópica que vive no pais Oceania. Os cidadãos desse país são vigiados em tempo integral pelo governo, em cada casa ou espaço comercial há teletelas (câmeras) e microfones que registram tudo o que acontece.
Esse partido controla o que as pessoas comem (que é muito pouco e com pouca variedade – o que nos lembra uma sociedade em regime socialista/totalitário); controla qualquer tipo de informação que é veiculada, seja um livro didático ou um jornal; fazendo com que eles percam, inclusive a capacidade de pensar por si próprios.
O membro máximo do Partido chama-se “Grande Irmão”, em determinado trecho há a frase: “O Grande Irmão está te observando", denotando o quão invasivo era a conduta do partido.
O controle exercido pelas teletelas e o termo “Grande Irmão”, foram base para a criação do formato do reality Show Big Brother, da Endemol.
Na obra de Orwell vamos acompanhar o personagem Smith, um trabalhador do Ministério da Verdade (onde as noticias são alteradas), que começa a ter alguns vislumbres de realidade, que começa a fazer pequenos questionamentos sobre o sistema em que vivem.
Vamos acompanhar seus questionamentos e onde esses pensamentos o levarão.
Apesar de ser um clássico a escrita de Orwell é muito tranquila. Mas a leitura é um pouco angustiante, principalmente da metade do livro em diante.
Enfim, recomendo muito essa leitura que traz reflexões sobre: privacidade, governos manipuladores, manipulação de informação, ignorância política e o quanto os governos só fazem o que fazem por conta da pobreza e ignorância da maioria.
Finalizo deixando um dos trechos que mais gostei e que mostram bem como a sociedade vivia em Oceania e te convido a pensar comigo: o quanto disso vivemos hoje?

“Tirou do bolso uma moeda de vinte e cinco centavos. Ali também, em letras minúsculas e precisas, estavam inscritos os mesmos slogans, e do outro lado da moeda via-se a cabeça do Grande Irmão. Até na moeda os olhos perseguiam a pessoa. Nas moedas, nos selos, nas capas dos livros, em bandeiras, em cartazes e nas embalagens dos maços de cigarro – em toda parte. Sempre aqueles olhos observando a pessoa e a voz a envolvê-la. Dormindo ou acordada, trabalhando ou comendo, dentro ou fora de casa, no banho ou na cama – não havia saída. Com exceção dos poucos centímetros que cada um possuía dentro do crânio, ninguém tinha nada de seu."

P.S.- Há edições novas de clássicos do Orwell lançados pela Companhia das Letras, mas, seus livros são facilmente encontrados em bibliotecas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário